sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

JOIO: A SEMENTE QUE CONTAMINA O CAMPO

Pr. Gomes Silva

Certa vez Jesus Cristo contou a parábola do joio e o trigo (Mateus 13:24-30), afirmando que o inimigo havia semeado o joio no meio da plantação de trigo e saiu. Então, vieram os discípulos e lhe perguntaram: “Queres, então, que o arranquemos”? (v. 29). A resposta do Senhor foi simples: “Deixai que ambos crescerem juntos até a colheita. Na época da colheita, direi aos que fazem a colheita: Ajuntai primeiro o joio e atai-o em feixes para queima-lo; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro” (v. 30).
O estudioso Dennis Allan (www.estudosdabiblia.net) faz considerações importantes sobre o texto referido. Segundo ele, algumas pessoas ensinam que esta parábola fala sobre a igreja, mostrando que os pecadores convivem com os fiéis na igreja, aguardando o julgamento final de Deus. Mas tal interpretação, segundo ele, contradiz a palavra do Senhor.

E justifica dizendo que, “o próprio Jesus explicou a parábola, dizendo que "o campo é o mundo" (Mateus 13:38). No mundo, os servos dele convivem com os pecadores. Ele orou sobre os apóstolos: "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal. Eles não são do mundo, como também eu não sou" (João 17:15-16). Embora os servos dele sejam santificados, não podem sair do mundo”.

Mas na igreja é diferente. Quando o joio se manifesta entre o povo de Deus, deve ser arrancado. Paulo instruiu a igreja dos coríntios sobre como resolver o problema de imoralidade no meio da congregação. Ele usou palavras fortes para descrever a atitude certa em relação ao irmão que volta e permanece no pecado: "...já sentenciei...que o autor de tal infâmia seja...entregue a Satanás para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no Dia do Senhor [Jesus].... Lançai fora o velho fermento....agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador" (1 Coríntios 5:3-5,7,11). Paulo escreveu aos tessalonicenses: "Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente..." (2 Tessalonicenses 3:6).

É bom ressaltar que o mesmo Cristo que deixou o joio com o trigo no mundo, fortemente criticou a igreja em Tiatira: "Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel, que a si mesma se declara profetisa, não somente ensine, mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição e a comerem coisas sacrificadas aos ídolos" (Apocalipse 2:20).

Paulo resumiu bem a diferença entre a igreja e o mundo: "Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor" (1 Coríntios 5:13).

Em sua análise sobre a mesma parábola, a estudiosa Gilda Carvalho (www.amaivos.com.br), ressalta que, por serem parecidas, as sementes do joio e do trigo acabam sendo lançadas juntas no mesmo campo.  E juntas acabam por crescer.  O joio, porém, é uma planta que sufoca as que crescem perto dela, impedindo seu desenvolvimento. O trigo, por sua vez, é a semente que vai gerar o pão que alimenta corpo e alma.  Se o joio não for arrancado a tempo poderá estragar toda uma plantação.

Diz ainda Gilda Carvalho: “Muitas vezes é necessário que cresça junto com o trigo, pois o ato de arrancá-lo pode comprometer também a boa planta. Na colheita é necessário separá-los e lançar fora o joio que de nada serve para o homem e preservar o trigo que se tornará alimento”.

Mas como tem sido o comportamento do joio no meio do trigo? Ele vive de várias formas, deixando muita gente admirada com suas ações enquanto que outras convivem com a dúvida sobre a sua conversão.

O joio um dia está na igreja motivado, envolvente e mostrando-se uma pessoa altamente espiritual (comunhão com Deus). No outro, desaparece; e quando surge de repente sempre trai consigo um “caminhão” de situações conflituosas. Ele senta geralmente entre o meio e à porta da igreja e sempre se incomoda com o horário do culto ou com a mensagem que está sendo ministrada pelo pastor, muitas vezes, alvo de suas críticas. Ainda como resultado de sua presença no meio do trio, o joio geralmente se mete em confusão, causando divisão e contenda no meio cristão.

O pior é que, de vez em quando, esse joio se mete onde não é cabível ao trigo: Vai a festas mundanas, se alia a quem tem uma vida contrária aos princípios da Palavra de Deus, andam lado a lado com quem é desprezível pela sua opção de vida e condena qualquer aversão a tais companheiros seus.

Em conformidade com Gilda Carvalho, Joio e trigo são sementes que crescem juntas no coração humano! Sementes que não podem, porém, ser misturadas sob pena de uma sufocar a outra e, pior, a ruim sufocar a boa. É preciso, por isso, uma constante vigilância, uma permanente escuta e leitura de nossa vida para perceber qual a semente que mais cresce em nós. É fundamental, por fim, a oração, via por onde Deus nos fala e nos aponta caminhos para descobrir as condições ideais para crescimento da boa semente, afastando com sua mão poderosa o temido joio.  Possamos, pois, produzir constantes frutos bons, alimentando os outros e semeando boas sementes.

Mas não podemos esquecer a exortação do apostolo Paulo: "Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor" (1 Coríntios 5:13).


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

MAIS UMA ARMADILHA DE SATANÁS

Pr. Gomes Silva
Presidente da CEPEA-PB

O diabo continua trabalhando para levar as pessoas a desacreditarem na Palavra do Deus Vivo. Para que isso aconteça, ele usa várias maneiras. Uma delas é propagar o fim do mundo. Essa artimanha tem dado certo na mente de muitas pessoas, sobretudo daquelas que vivem sem o contato direto com a Verdade: As Escrituras Sagradas.

De tanto propagar o fim do mundo, o diabo consegue fazer com que as pessoas não se preocupem com o real fim do mundo, quando Cristo virá buscar a igreja redimida pelo seu sangue, vertido na Cruz do Calvário.

A mais recente investida do capeta é esta de que o mundo acaba (acabaria) neste dia 21 de dezembro (2012), conforme uma “profecia dos Maias”, povo que viveu a milhares de anos no México.

O apóstolo Paulo, ao escrever a Primeira Carta a Timóteo 4:1, o exorta a se preparar contra a investida dos espíritos enganadores, dizendo: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia  de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”.

Jesus Cristo, o maior rejeitado nessa “estória de fim de mundo”, explica advertindo seu povo contra a falsificação sobre a sua vinda. Em Mateus 24:4-5, 24-25, Ele diz: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em Meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos... Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que Eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais; Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis.

É isto o que está sempre surgindo: uma gigantesca mentira espalhada por todo o mundo, que é a segunda vinda falsa e forjada.

Em assim sendo, a cada oportunidade que se diz que o mundo vai acabar e não acaba, as pessoas vão se acostumando até chegar a ponto de desacreditar na Palavra de Deus. E o que é pior: Continuando assim, essas pessoas vão conhecer aquele que hoje trabalha para levá-las a viver uma vida tem temor a Deus e sem preocupar-se com a sua vida espiritual. O inferno está lhes aguardando para fazer companhia ao enganador do mundo.

Eu prefiro seguir a Bíblia, onde está escrita a verdade do que vai realmente acontecer, conforme Mateus 24:27: “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente, assim será também a vinda do Filho do Homem”. Quando isto vai acontecer, ninguém sabe. Só o Todo-Poderoso.

É a Palavra de Deus, a verdade que liberta o homem do pecado e do engano de satanás – João 8:32. “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. E ponto final.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A metamorfose que leva o homem para o céu

Texto: Colossenses 3:1-10
Pr. Gomes Silva
INTRODUÇÃO
Temos ouvindo, sempre, alguém dizer: Vou mudar a minha vida. Alguém pode mudar a própria vida? Entendo que sim. Resta saber qual a direção que ele por si só pretende tomar. No entanto, o homem que teme o Senhor e almeja mudança, sabe que o planejar é humano, mas que a resposta certa vem de Deus, que o instruirá (Salmo 25:12). Por isso, entrega-se completamente ao Altíssimo de quem aguarda e de quem recebe uma mudança radical pela ação regeneradora do Espírito Santo.
Vamos analisar o que disse o apóstolo Paulo aos convertidos colossenses a Cristo Jesus.
PARA NÓS, O MUNDO DE ONTEM ERA TRAUMÁTICO – v. 5
A Bíblia mostra que vivíamos num “mundo” traumático, marcado pela fornicação, impureza, afeição desordenada, avareza, idolatria, mentira, promiscuidade (cf. Gl 5:19-21). Hoje, esse mundo ainda existe, mas dele não podemos fazer mais parte, porque fomos resgatados pelo sangue precioso de Jesus Cristo quando se submeteu à morte e morte de cruz (Fl 2:5-10) para salvar os pecadores arrependidos (Atos 3:19 e 4:12).
POR ISSO, HOJE PRECISAMOS ANDAR DE CABEÇA ERGUIDA
O apóstolo Paulo nos exorta a vivermos pensando e agindo com a cabeça erguida. Erguida, sim, para buscar as coisas que são lá de cima, onde está o trono do Senhor (vs. 1-2). Não podemos viver atrelados às coisas deste mundo, porque vamos correr sérios ricos de esquecermos-nos do Senhor.
Contudo, precisamos entender que tudo passa pelo crivo da Palavra de Deus, que nos ensina como podemos alcançar a perfeição na presença do Altíssimo (2ª Timóteo 3:16-17), e andar em espírito (Gálatas 5:16).
PORQUE SOMOS A DIFERENÇA PARA ESTE MUNDO OPOSTO A DEUS
Alcançados pela palavra da salvação, temos agora o dever de sermos testemunhas daquele que nos resgatou: Jesus Cristo. Para que tenhamos um testemunho autêntico, precisamos nos despojar de tudo: ira, cólera, malícia, maledicência, vingança, das palavras torpes, mentira etc (vs. 8-9).
ANDANDO COMO A IMAGEM DAQUELE QUE NOS CRIOU
É visível a orientação de Paulo aos colossenses para andarem vestidos do novo homem (v. 10). Mas que homem é esse? É um homem transformado pelo poder de Deus, que vive em função do Senhor e não se envergonha da decisão que tomou ao levantar a mão, publicamente, e dizer: Eu sou de Jesus e o recebo como meu salvador (Rm 10:9).
CONCLUSÃO
Precisamos entender: Antes vivíamos num mundo feito por Deus, mas sem a sua proteção. Hoje, alcançados e libertos do pecado pela graça do Senhor e mediante a ação regeneradora do Espírito Santo, somos nova criatura. Por essa razão, não podemos retroceder (Hb 10:38-39). Pelo contrário, temos que continuar firmes no Senhor, crescendo na graça e no conhecimento do Senhor Jesus Cristo (2 Pedro 3:18)

sábado, 6 de outubro de 2012

O que a Bíblia diz sobre cair no Espírito?

Claudionor Corrêa de Andrade 
Revista Defesa da Fé


Embora fervoroso pentecostal, Gunnar Vingren (missionário sueco, um dos fundadores da Assembléia de Deus) não se deixou embair pelo emocionalismo nem pelas aparências. Ele sabia que nem tudo o que é místico é espiritual; pode brilhar, mas não e avivamento. O misticismo manifesta-se também em rebeldias e mentiras. Haja vista as seitas proféticas e messiânicas.

Teve o nosso pioneiro, como precavido condutor de ovelhas, suficiente discernimento para não aceitar aquele arremedo de pentecostes. Fosse um desses teólogos que colocam a experiência acima da Bíblia Sagrada, o pentecostalismo autêntico jamais teria saído do nascedouro.

Entre as manifestações presenciadas por Gunnar Vingren, achava-se o "cair no poder" que, já naquela época, era conhecido também como "arrebatamento de espírito". À primeira vista, impressionava; fazia espécie. Não resistia, contudo, ao mínimo confronto com as Escrituras, e nada tinha que ver com as experiências semelhantes que se acham nas páginas da Bíblia.

Irreverente e apócrifo, esse misticismo não se limitou à geração de Vingren. Continua a assaltar a Igreja de Cristo com demonstrações cada vez mais peregrinas e contraditórias. O seu alvo? Levar a confusão ao povo de Deus. No combate a tais coisas, haveremos de ser enérgicos, sábios e convincentes, mas sempre equilibrados. Através da Bíblia, temos a obrigação de mostrar a pureza e a essência de nossa crença, e a "batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos" (Jd 3).

Neste artigo, detenhamo-nos ao fenômeno do "cair no "Espírito", como vem sendo caracterizado, começou a ganhar notoriedade a partir de 1994. Neste ano, a Igreja Comunhão da Videira do Aeroporto de Toronto, no Canadá, passou a ser visitada por milhares de crentes, todos à procura de uma bênção especial. Ao contrário das demais igrejas pentecostais, que buscam preservar a ortodoxia doutrinária, a Igreja do Aeroporto, como hoje é conhecida, granjeou surpreendente notoriedade em virtude das manifestações que ocorriam em seu cultos.

Dizendo-se cheios do Espírito, os freqüentares dessa igreja começaram a manifestar-se de maneira estranha e até exótica. Em dado momento, todos punham-se a rir de maneira incontrolável; alguns chegavam a rolar pelo chão. Justificando essa bizarra, alegavam tratar-se de santa gargalhada. Ou gargalhada santa? Outros iam mais longe: não se limitavam ao estrepitoso dos risos; saíam urrando como se fossem leões; balindo, como carneiros, ou gritando, como guerreiros, e ainda outros "caíam no Espírito".

À primeira vista, tais manifestações impressionam. Impressionam, apesar de não contarem com necessário respaldo bíblico. Entretanto, não devemos nos deixar arrastar pelas aparências, nem pelo exotismo desses "fenômenos". Temos de nos posicionar segundo a Bíblia que, não obstante os modismos e ondas, continuam a ser a nossa única regra de fé e conduta.

O cair no Espírito na Bíblia

Nas Sagradas Escrituras, o cair no Espírito não chega a ser um fenômeno: é mais uma reação reverente diante do sobrenatural. Registram-se apenas, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, 11 casos de pessoas que caíram prostradas, com o rosto em terra, em sinal de adoração a Deus: são episódios isolados. Não têm foro de doutrina, nem argumentos para alicerçar um costume nem para reivindicar uma liturgia; não podem sacramentar alguma prática. Afinal, reação é reação; apesar de semelhantes. Diferem entre si. Como hão de fundamentar dogmas de fé?

Verificamos, pois, em que circunstâncias deram-se os diversos casos de cair por terra nos relatos bíblicos.

A força de uma visão nitidamente celestial

As visões, na Bíblia, tinham uma força impressionante: agitavam, enfraqueciam e até deixavam por terra homens santos de Deus. Que o diga Daniel. Já encerrado o seu livro, o profeta registra esta formidável experiência: "Fiquei pois eu só a contemplar a grande visão, e não ficou força em mim; desfigurou-se a feição do meu rosto, e não retive força alguma. Contudo, ouvi a voz das suas palavras; e, ouvindo o som das suas palavras, eu caí num profundo sono, com o rosto em terra." Dn 10:8-9

Em sua primeira visão, Ezequiel também se assusta com o que vê. Ele se apavora: "...Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isso, caí com o rosto em terra, e ouvi uma voz de quem falava." Ez 1:28. Sem liturgia, ou intervenção humana, o profeta prostra-se todo, e quem não haveria de prosternar? Mesmo o mais forte dos homens, não se agüentaria diante de tamanho poder e glória. Recurvar-se-ia; lançar-se-ia com o rosto em terra.

Mais, encontraremos Ezequiel outro caso de prostração: "Então me levantei, e saí ao vale; e eis que a glória do Senhor estava ali, como a glória que vi junto ao rio Quebar; e caí com o rosto em terra." Ez 3:23. Quem não cairia ante as singularidades da glória de Deus? Quem a resistiria?

Já no final de seus arcanos, Ezequiel vê-se constrangido a comportar-se de igual maneira: "E a aparência da visão que tive era como a da visão que eu tivera quando ele veio destruir a cidade; eram as visões como a que tive junto ao rio Quebar; e caí com o rosto em terra." Ez 43:3.

Nesses casos, as visões divinas foram tão fortes que levaram tanto Ezequiel como Daniel a caírem por terra. Noutras ocasiões, porém, a ocorrência de visões, igualmente poderosas, não provocou alguma prostração. Haja vista o caso de Isaías. Embora se mostrasse aterrorizado e compungido com a visão do trono divino, não se menciona ter o profeta caído por terra. Isto significa que as experiências, embora semelhantes, possuem suas particularidades e idiossincrasias, isto é, cada experiência, ou encontro com Deus, é única. Seria tolice pretender repeti-las para que a sua repetição adquirisse foros de doutrina.


Como os legítimos representantes de Deus portaram-se quando alguém caía por terra? 

Ao contrário dos que hoje portam-se como deuses diante de virtuais casos de prostração, os apóstolos de Cristo jamais aceitaram tal deferência. Em todas as instâncias, procuravam sempre glorificar o nome do Senhor. Em casos semelhantes, até mesmo anjos agiram com reconhecida e santa modéstia.

Tendo Pedro chegado à casa de Cornélio, a primeira reação deste foi cair de joelhos do apóstolo: "Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que também sou homem." At 10:25-26. O que fariam os astros do evangelismo nos dias atuais? Humilhar-se-iam como apóstolo? Ou usariam o evento para incrementar o seu marketing pessoal? Nem mesmo um poderoso anjo se aproveitou da ocasião para atrair a si as glórias devidas somente a Deus. O relato é de João: "...prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava, para o adorar. Mas ele me disse: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus." Ap. 22:8-9.

O anjo bem sabia que o apóstolo prostrara-se aos seus pés por uma circunstância bastante especifica: não há ser humano que não extasie diante do sobrenatural. A aparição de um ente celestial sempre perturbou os pobres mortais. Nos dias dos juízes, acreditava-se que a visão de um anjo significava morte certa. Por isso, a primeira reação de uma pessoa ao ver um anjo era curvar-se diante do ser angelical. Quem poderia resistir a tanta glória?

Os anjos, porém, recusavam tal deferência. Houve ocasiões em que o anjo do Senhor aceitou elevadas honrarias. Como conciliar tais questões? No A.T., sempre que isso ocorria, era devido à presença de um ser especial, que alguns teólogos não vacilam em apontar como a pré-encarnação de Cristo. De uma forma ou de outra, os anjos eram santos suficientemente para agir com modéstia e humildade, tributando a Deus todo o poder e toda a glória.

Que esta também seja a nossa postura! Quando, por alguma circunstância, alguém cair a nossos pés, levantemo-o para que tribute a Deus, e somente a Deus, toda a honra e toda a glória, e jamais, sob hipótese alguma, induzamos alguém a prostra-se com o rosto em terra, pois isto contraria a ética e a postura que homem de Deus deve ter. 

O impacto de um encontro com Deus

Além das visões, certos encontros com Deus, tanto no Antigo como no Novo Testamento, levaram à prostração. Mencione-se, por exemplo, o que aconteceu a Saulo no caminho de Damasco. O encontro com Jesus foi tão formidável, que forçou o implacável perseguidor a cair por terra, e a reconhecer a autoridade e a soberania do Filho de Deus: "e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?" Atos 9:4.

Como nos casos anteriores, nada havia sido programado. Saulo foi levado a recurvar-se, em virtude da sublimidade do Senhor Jesus. Noutras ocasiões, porém, os encontros com Deus deram-se de maneira suave. A entrevista de Natanael com Jesus é um exemplo bastante típico dessa suavidade tão santa.

Quer dizer também do encontro de Gideão com o anjo do Senhor? Ou do encontro de Jeremias com Jeová? Este encontro veio na medida certa; veio de acordo com o caráter suave e melancólico do profeta. Tivesse, porém, Jeremias o temperamento colérico de Paulo, certamente o Senhor teria agido com impacto, para que o vaso fosse quebrado e moldado conforme sua vontade. Como se vê, as experiências variam de acordo com as circunstâncias e a personalidade das pessoas envolvidas no plano de Deus.

A autoridade do nome de Cristo é mais que suficiente para fazer que todos os joelhos se dobrem diante dele; aliás, chegará o momento em que todos os seres, quer nos céus, quer na terra, quer sob a terra, hão de se curvar diante da infinita grandeza do nome do Senhor Jesus: "Pelo que também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai.." Fp 2:9-11.

Na noite de sua paixão, o Senhor demonstrou grande era a sua autoridade: "Quando, pois, (Jesus) lhes disse: Sou eu, recuaram e caíram por terra" Jo 18:6. Ao contrário dos casos anteriores, nessa passagem, quem cai por terra são os ímpios. Recurvam-se estes não em sinal de reverência a Deus, mas em razão da autoridade e soberania irresistíveis de Cristo.

Caso semelhante ocorreu com Ananias e Safira. Ambos caíram por terra em decorrência de sua iniqüidade: "Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo e retivesses parte do preço do terreno? Enquanto o possuías, não era teu? e vendido, não estava o preço em teu poder? Como, pois, formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus. E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E grande temor veio sobre todos os que souberam disto." At 5:3-5

Casos como esses não são raros. Em nossos dias, muitos são os ímpios que, por se levantarem contra os escolhidos do Senhor, caem por terra e, à vezes, fulminados.

Noutras ocasiões, porém, o Senhor revelou-se de maneira tão suave, que se fez homem diante dos homens. Que encontro mais doce do que aquele que se deu junto ao poço de Jacó? O Senhor revela-se de maneira surpreendentemente afável à mulher samaritana. E a experiência de Nicodemos? Ou a de Zaqueu?

Nas efusões do Espírito Santo de Atos dos Apóstolos houve casos de prostração?

Na ânsia de justificar o cair por terra que, como já dissemos tem de ser visto como episódio e não como histórico, muitos teólogos chegam a colocar tal reação como se fora uma das evidências da plenitude do Espírito Santo. Que pode haver prostração durante a efusão do Espírito, não o negamos. Pode haver, mas não tem de haver necessariamente, nem precisa haver para que se configure o derramamento do Espírito Santo. A prostração não pode ser vista como evidência, mas como uma reação ocasional e esporádica.

Nos diversos casos de efusão do Espírito Santo, nos Atos dos Apóstolos, não se observou algum caso de prostração. No dia de Pentecostes, segundo no-lo notifica o minucioso evangelista Lucas, estavam todos assentados no cenáculo (At 2:2). Na casa de Cornélio, onde o Espírito foi derramado pela primeira vez sobre os gentios, também não se observou o cair por terra (At 10:44-47). Entre os discípulos de Éfeso também não se registrou alguma prostração (At 19:6).

Em todos esses casos, porém, a evidência inicial e física do batismo no Espírito Santo fez-se presente. Concluí-se, pois, que não se deve confundir evidência com reação. A evidência é a mesma em todos os que recebem a plenitude do Espírito Santo. A reação, todavia, varia de pessoa para pessoa.

Mesmo quando o lugar santo tremeu, não se observou caso algum de prostração (At 4:31). Poderia ter havido? Sim, mas não necessariamente.

Conclusões

Do que até agora vimos acerca do "cair no Espírito", podemos tiras as seguintes conclusões, tendo sempre como base as Sagradas Escrituras:

1. Não se deve realçar a experiência, nem guinda-la a uma posição superior à da Palavra de Deus. A experiência é importante, mas varia de pessoa para pessoa; cada experiência é uma experiência; tem suas particularidades. A experiência tem de estar submissa à doutrina, e não há de modificar-se, por mais extraordinária que seja, nenhum artigo de fé.

2. O cair por terra não deve ser visto como evidência da plenitude do Espírito Santo, nem como sinal de uma vida consagrada. A evidência do batismo no Espírito Santo são as línguas estranhas; e a vida consagrada tem como característica o fruto do Espírito. O cair por terra pode ser admitido, no máximo, como reação esporádica de alguma visitação dos céus. Se provocado, ou repetido, deixa de ser reação para tornar liturgia.

3. Caso ocorra alguma prostração, deve-se fazer as seguintes perguntas: 1) Qual a sua procedência? 2) Teve como objetivo promover o homem ou glorificar a Deus? 3) Foi usada para catalisar a atenção dos presentes? 4) Foi provocada por sopros, toques ou por algum objeto lançado no auditório? 5) Houve sugestão coletiva? 6) Prejudicou a boa ordem e a decência da igreja? 7) Conta com o respaldo bíblico suficiente? 8) Tornou-se o centro do culto?

4. Devemos estar sempre atentos, pois o adversário também opera sinais espetaculares com o objetivo de enganar os escolhidos: "porque hão de surgir falsos cristos e falsos profetas, e farão grandes sinais e prodígios; de modo que, se possível fora, enganariam até os escolhidos." Mt 24:24

5. Nos diversos exemplos de prostração que fomos buscar na Bíblia, observamos o seguinte: Os personagens que se prostraram, ou foram prostrados, em virtude de alguma experiência sobrenatural, caíram para frente, e não para trás, como está ocorrendo hoje em algumas igrejas. Não era algo programado, nem ministro algum os induzia a cair, ou seja, ninguém precisou soprar neles ou neles tocar para que caíssem. Tais modismos têm levado a irreverência e a bizarra ao seio do povo de Deus. Há alguns que se tornaram tão ousados que jogam até seus paletós a fim de provocar prostrações coletivas. Isto é um absurdo! É antibíblico!

6. Os casos de prostração narrados na Bíblia deram-se em virtude da reverência e temor que os já citados personagens sentiram ao presenciar a glória divina. No N.T. o termo usado para prostração é pesotes prosekinsan que, no original, significa: cair por terra em sinal de devoção. Em Apocalipse 5:14, a expressão grega aparece para mostrar os anciãos prostrados aos pés do Cristo glorificado.

7. Voltemos à questão. Pode acontecer prostração numa reunião evangélica? Pode, mas não tem de acontecer necessariamente, pode, mas não precisa acontecer, nem ser provocada. Caso aconteça, deve ser encarada como reação e não como fato doutrinário. John e Charles Wesley, por exemplo, experimentaram um poderoso avivamento, mas jamais elevaram suas experiências à categoria de doutrina. As heresias nascem quando se supervaloriza a experiência em detrimento da doutrina. Não devemos nos esquecer de que algumas das mais notáveis heresias deste século, como a Igreja Só Jesus, nasceu em pleno período de avivamento.

8. De certa forma, todo avivamento provoca extremismos. Cabe-nos, porém, buscar o equilíbrio tão necessário à Igreja de Cristo. Era o que ocorria em Corinto. Não resta dúvida de que os irmãos daquela comunidade cristã haviam recebido forte visitação dos céus. Tiveram, todavia, de ser doutrinados e disciplinados. A esses irmãos escreveu Paulo: "32 pois os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas; porque Deus não é Deus de confusão, mas sim de paz. Como em todas as igrejas dos santos." I Co 14:32-33

Finalmente, jamais devemos abandonar a Bíblia. Ênfases, como cair no Espírito, hão de surgir sempre. Não devemos nos impressionar com elas; tratemo-las com o devido equilíbrio. Pois o equilíbrio bíblico e teológico há de manter a igreja de Cristo em permanente avivamento, e o verdadeiro avivamento não extingue o Espírito, mas sabe como evitar os excessos.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

DEUS É UMA PESSOA - PARTE 2

Extraído do Livro: A Santa Trindade - CPAD
Autor: Eurico Bergstén

III. DEUS É UMA PESSOA COM PERSONALIDADE
"Personalidade é o conjunto de características cognitivas, afetivas, volitivas e físicas de um indivíduo, distinguindo-o de outro indivíduo e da vida animal."
A Bíblia fala da "pessoa de Deus". Fala de Jesus como "...sendo o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa...'''' (Hb 1.3a).
Enquanto várias filosofias agnósticas, entre elas o panteísmo, afirmam que Deus é somente uma "força impessoal" ou que' 'Deus é a natureza" e que Ele se identifica com a sua criação, isto é, onde está a criação, aí está Deus, etc., a Bíblia revela Deus como uma Pessoa divina que possui todas as características de uma pessoa.
Se Deus não tivesse personalidade com a qual pudesse comunicar-se, os homens não teriam jamais a sua sede do Deus vivo saciada porque jamais entrariam em contato com Ele. Mas o nosso Deus é vivo e tem personalidade.

1. Deus fala de si mesmo como de uma personalidade
Quando Moisés perguntou: "Qual é o teu nome?" Deus disse:' 'Eu sou o que sou". E disse mais:'Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós" (Êx 3.14). É impossível imaginar uma expressão mais forte de uma personalidade do que esta!

2. Jesus veio revelar aos homens o seu Pai (Lc 10.22)
Vejamos alguma coisa que Jesus revelou \a respeito da personalidade de seu Pai!

2.1. Jesus falou de Deus muitas vezes como sendo o seu Pai.
Ele disse: "Meu Pai e vosso Pai" (Jo 20.17). Foi Jesus que nos ensinou a orar: "Pai nosso" (Mt 6.9). Quem é Pai é uma personalidade.

2.2. Jesus usou, quando centenas de vezes falou de seu Pai, pronomes pessoais.
Ele disse: "Todas as tuas coisas são minhas e as minhas são tuas". "Vou para ti" (Jo 17.10,11). O uso de pronomes pessoais subentendem a personalidade de Deus.

2.3. Jesus falou de atividades de seu Pai que só são atribuídas a uma pessoa.
Ele disse: "Meu Pai trabalha" (Jo 5.17); "O meu Pai ama (Jo 3.35); "O meu Pai me enviou" (Jo 6.29); "O Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo" (Jo 5.20). Falou da vontade de seu Pai (Jo 6.39,40 etc.), expressões que só se atribuem a uma pessoa. Assim necessariamente Ele é uma pessoa.

2.4. Jesus disse: "Meu Pai é o Lavrador" (Jo 15.1)
Nome que só é atribuído a uma pessoa, a um ser com personalidade.

DEUS É UMA PESSOA - PARTE 1

Extraído do Livro: A Santa Trindade - CPAD
Autor: Eurico Bergstén

I. DEUS EXISTE!
"...há um só Deus, o Pai..." (1 Co 8.6)
A existência de Deus é um fato incontestável. A Bíblia não se preocupa em provar a existência de Deus, mas começa o seu primeiro versículo falando de Deus, como a principal personagem em todo o Universo: "No princípio criou Deus os céus e a terra" (Gn 1.1). Deus existe desde a eternidade. Ele é a origem de tudo e tudo governa e sustenta.
Uma conseqüência do pecado é que o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que não vejam a glória de Deus (2 Co 4.4), Nesta sua cegueira espiritual, os homens se fizeram deuses e senhores. A Bíblia afirma: "...há muitos deuses e muitos senhores" (1 Co 8.5b). Porém, no meio destes deuses que estão espalhados sobre o vasto campo deste mundo, como pedrinhas de todo tamanho, ergue-se o Deus Verdadeiro como uma grande colina que se distingue dessas pedrinhas pela sua incomparável grandeza. A Bíblia diz: "...Ele é o único Deus" (Dt 6.4b), e "fora dele não há outro" (Dt 4.35b; Is 42.8a; 44.6b,8b). "Verdadeiramente só o Senhor é Deus" (1 Rs 18.39b).
É por isto uma necessidade conhecê-lo e prosseguir em conhecer ao Senhor (Os 4.6). A Bíblia diz: "É necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe" (Hb 11.6). Os que crêem em Deus e o buscam legitimamente experimentarão: Ele é galardoador dos que o buscam (Hb 11.6).

II. EVIDÊNCIAS QUE PROVAM A EXISTÊNCIA DE DEUS
O inimigo das nossas almas tem procurado completar a desgraça que o pecado causou, fazendo com que os homens chegassem ao ponto de negar a existência de Deus. Negar a Deus é tolice — tanto como alguém querer negar a existência do sol, porque não o vê, por estar encoberto por nuvens. A Bíblia diz: "Disse o néscio no seu coração: Não há Deus..." (SI 14.1a), e ainda: “Por causa do seu orgulho, o ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: Não há Deus” (SI 10.4).
Existem, porém, várias evidências para os que desejarem "investigar", para terem certeza de que "Há um Deus".

1. A crença universal em um Ser Supremo
Não existe nenhuma raça humana que não tenha alguma noção de um ser supremo, um deus, de quem, através das suas religiões, procuram se aproximar para agradá-lo comunicando-se com ele por meio de sacrifícios, até de sangue... Muitas vezes é realmente um "deus desconhecido" e na sua cegueira estão tateando para achá-lo (At 17.23,27). A Bíblia diz: "...O que de Deus se pode conhecer, neles se manifesta..." (Rm 1.19a).
Realmente, o homem foi criado por Deus conforme a sua imagem (Gn 1.26). Ele tem em si partículas desta sua origem divina, e por isto existe nele necessidade de um contato com a sua origem — Deus.

2. A consciência
No íntimo do homem há uma sentença moral sobre os seus atos praticados, sejam bons ou maus. Fala da existência de uma origem superior que no homem fez registrar os princípios da lei divina: "Porque quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei. Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo- os" (Rm 2.14,15).
A consciência universal nos faz compreender que o Ser Supremo é um Ser Moral.

3. A criação do mundo
Fala da existência de um Criador. "Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (SI 19.1). O seu eterno poder como a sua divindade se entendem, e claramente se vêem pelas
coisas que estão criadas (Rm 1.20). Como um relógio fala da existência de um relojoeiro, assim a criação fala de um Criador que é poderoso.

4. A Bíblia
A revelação divina escrita revela claramente a existência de Deus. Na Bíblia temos um documento autenticado, que nos faz conhecer a Deus através da sua própria revelação. Assim como alguém que quiser conhecer história, ciência ou qualquer outra matéria, procura estudar a literatura adequada para conseguir o conhecimento desejado, assim também aquele que verdadeiramente quer fazer a vontade de Deus, ele conhecerá, se esta doutrina é de Deus ou não (Jo 7.17).

5. Jesus, o Filho de Deus
Sua existência e vida neste mundo estão historicamente comprovadas. Veio para revelar Deus aos homens (Lc 10.22), e o fazer conhecer (Jo 1.16). Jesus disse: "...Quem me vê a mim, vê o Pai..." (Jo 14.9b). O caminho mais curto para conhecer a Deus é aceitar a Jesus como o seu Salvador, porque ele é o caminho para Deus (Jo 14.6).

6. Uma experiência pessoal da salvação
Por meio do sangue de Jesus Cristo, chegamos perto de Deus (Ef 2.13), e temos então uma absoluta certeza da existência de Deus, porque o Espírito do seu Filho clama em nós: Abba Pai (G1 4.6), e nós podemos com toda a tranqüilidade no coração orar: Pai nosso, que estás nos céus..." (Mt 6.9a).

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

"Tudo posso naquele que me fortalece"

Um estudo exegético de Filipenses 4:13
de Dennis Downing

Será que o Cristão pode fazer de tudo? Será que temos, por meio de Cristo, poder para realizar qualquer feito? O que é que Paulo quis dizer com esta declaração ousada?

O contexto imediato

Esta passagem tem sido entendida por muitos Cristãos como uma afirmação geral de que realmente “tudo” podemos fazer. Como sempre é necessário observar o contexto da passagem. O contexto imediato (Fil 4:10-20) indica que Paulo está tratando de necessidades pessoais. Podemos ver isso quando ele usa frases e termos como “pobreza” (v. 11) “fartura e fome”; “abundância e escassez” (v. 12); “dar e receber” (v. 15) e “necessidades” (vv. 16 e 19). Todas estas palavras e frases tratam de necessidades físicas e imediatas como comida e moradia. Ele pessoalmente passou por necessidades nestas áreas e está mostrando como Cristo lhe deu força para enfrentá-las.

Paulo poderia, de repente, sair deste contexto para formalizar uma afirmação sobre todas as necessidades em geral. Ou, como alguns entendem pela frase isolada, ele poderia dizer que, por meio de Cristo, consegue realizar de tudo. No entanto, para fazer isso, seria esperado que Paulo desse algum sinal de tal mudança. A ausência de uma sinalização não impede de forma categórica esta possibilidade. Mas, sendo que o contexto imediato é satisfatório, e que não há evidência clara dele ter intencionado uma afirmação mais geral, devemos concluir que o ponto dele neste versículo é de que, dentro das necessidades pessoais (embora estas necessidades sejam enormes), com Cristo, ele terá tudo que precisa para lidar com elas.

Como Paulo usava “tudo”

Ajuda-nos a entender que Paulo, como autores e oradores modernos, às vezes usava o adjetivo “tudo” (gr. panta de pas) para se referir à maior parte ou à maioria de uma categoria, sem necessariamente se referir a algo em sua totalidade. [1]

Podemos ver este tipo de uso em passagens como 1 Cor. 9:22 “...Fiz-me tudo para com todos, com o fim de, por todos os modos, salvar alguns.” Paulo não quis dizer que havia se tornado absolutamente tudo para com toda a humanidade. O ponto dele foi de que ele se esforçou, negando seus próprios interesses e tendências, para influenciar todos aqueles com quem ele teve contato e oportunidade.

De forma parecida, em Colossenses 1:28 Paulo afirmou “o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”. Aqui Paulo não quis dizer que ensinava literalmente todos os homens existentes, nem que aquilo que ele ensinava fosse toda a sabedoria existente. O ponto dele, novamente, se restringia àqueles dentro do seu raio de alcance e à sabedoria necessária e suficiente para a plena vida em Cristo.

Da mesma forma, em Fil 2:21, ao dizer “pois todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus.” Paulo não estava se referindo à totalidade da raça humana, nem a todos da cidade de Roma, onde ele se encontrava (Fil 1:13). Ele estava se referindo a muitos outros que não se preocupavam com seus interesses da forma como Timóteo havia feito. Mas, presumimos que Paulo contaria entre aqueles em quem confiava pessoas como Epafrodito (4:18) e os da casa de César (4:22). Portanto, ele não estava relegando nem a raça como um todo, nem toda a população de Roma ao grupo dos que “buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus.” Ele quis dizer que muitos eram assim, porém Timóteo era diferente.

De igual modo, ao dizer em Fil 4:13 “Tudo posso naquele que me fortalece”, Paulo não quis dizer “tudo” num sentido absoluto. O que ele quis dizer era que, de todas as coisas que havia passado que necessitavam de poder para enfrentar, como pobreza, fome, escassez e necessidades, Cristo supria toda esta força que ele precisava. É neste sentido que Paulo escreveu “Tudo posso naquele que me fortalece”. Pelo que já havia passado, Paulo tinha confiança, e quis passar esta mesma confiança aos Cristãos em Filipos, de que Cristo havia de suprir toda a força que eles precisavam, seja qual fosse a situação. É por isso que ele encoraja os Cristãos em Filipos com as palavras “E o meu Deus, segundo a sua riqueza em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades” (4:19).

O foco da passagem

Embora muitas traduções modernas como a NVI, ARA e BJ traduzam o verso praticamente igual como “tudo posso naquele que me fortalece”, aqui a NTLH traz uma tradução bastante interessante “Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação”. Esta tradução é salutar, pois coloca a ênfase em Cristo e demonstra que o objetivo não é as conquistas do homem e sim sua capacitação para, com Cristo, enfrentar as situações, tão adversas quanto forem, que a vida traz.

É um eqúivoco pensar que o ponto de Paulo é que, com Cristo, ele pode alcancar grandes realizações ou conquistas. Paulo, embora falando das coisas que fazia por conta própria, já descartou a imporância das grandes realizações pessoais. Em 3:4-8 Paulo relembrou suas grandes conquistas em nome do zelo religioso. Daí, ele mostrou como o simples conhecer e comunhão com Cristo eram muito superior a todas as suas conquistas (3:8,10). Dificilmente Paulo agora estaria chamando a atenção dos Cristãos em Filipos para a idéia de realizar grandes coisas, mesmo com Cristo. O ponto de Paulo é de assegurar estes irmãos de que, na abundância ou na adversidade, Cristo os faria fortes o suficiente para lidar com qualquer situação, permanecendo fiéis a Ele.

Perigo de interpretação

Existe pelo menos um perigo de uma interpretação demasiadamente genérica deste versículo. Crentes podem ficar frustrados ou duvidando das promessas de Deus se tentarem coisas que consideram dentro da vontade de Deus, mas falharem. “Cristãos frequentemente anunciam, ‘Tudo posso naquele que me fortalece’, para assegurar a outros (e a eles mesmos) que podem ser bem sucedidos em empreendimentos para os quais eles podem ou não ser qualificados. Fracasso subsequente os deixa transtornados com Deus como se ele tivesse quebrado uma promessa!” [2]

Se “tudo posso naquele que me fortalece” significa que posso realizar qualquer obra ou feito, desde que seja algo que Deus teoricamente ia querer, então haverá muita frustração, pois nem sempre Deus de fato faz tudo que pode. Deus podia ter evitado que Cristo morresse na cruz (Mat 26:53). Certamente Ele não queria que Cristo tivesse que morrer na cruz. Mas, por causa do grande amor dEle por nós (outro aspecto da sua soberana vontade), Ele permitiu. Se nem Deus sempre faz tudo que pode e tudo que quer, podemos concluir que nem tampouco o homem fará, ou que Deus o fará por meio dele.

A Paulo, um homem de fé sincera e poderosa, foi negado algo bom e desejável que pediu ao Senhor – uma cura. Em 2 Coríntios 12:8-9 vimos que, apesar de toda sua fé e amor ao Senhor, Paulo não recebeu o que queria. Tudo posso naquele que me fortalece? Sim, se for da vontade de Deus.

Paulo tinha o dom de curar e curou muitas pessoas, chegando a curar todos numa ilha inteira (Atos 28:7-9). Mas, houve ocasião em que Paulo não pôde curar um discípulo próximo a ele, Trófimo (2 Tim 4:20). Tudo posso naquele que me fortalece? Sim, dentro dos limites que Deus estabelece e permite. Haverá ocasiões em que vamos querer fazer coisas boas, até coisas para Deus, mas não conseguiremos, porque não era a vontade de Deus naquele momento, ou naquela situação, ou com aquela pessoa.

A respeito desta passagem D.A. Carson alerta: - Uma antiga preferência é Filipenses 4.13: "... tudo posso naquele que me fortalece". O "tudo" não pode ser completamente ilimitado (e. g., saltar sobre a lua, resolver "de cabeça" complexas equações matemáticas ou transformar areia em ouro); portanto, a passagem geralmente é exposta como um texto que promete aos crentes a força de Cristo em tudo o que eles têm a fazer ou em tudo o que Deus lhes ordena que façam. Sem dúvida, este é um conceito bíblico; contudo, no que se refere a esse versículo, dá-se pouca atenção ao contexto. O "tudo" aqui consiste em viver alegre em meio a fartura ou fome, em abundância ou escassez (Fp 4.10-12). Seja qual for sua situação, Paulo pode lutar com alegria por meio de Cristo, que o fortalece. [3]

Concluímos que o ponto de Paulo em Filipenses 4:13 quanto àquilo que ele pode fazer se refere à força para enfrentar situações que a vida traz a ele, especificamente no sentido de necessidades pessoais. Mas a ênfase não está nele só, e sim nAquele que lhe dá esta força – Cristo Jesus. O versículo pode ser dividido em duas partes “tudo posso” e “naquele que me fortalece”. O mundo declara com orgulho e confiança “tudo posso” e pronto. O Cristão corrige, com humildade temperada pela fé em Jesus “Sei que enfrentarei muitas dificuldades nesta vida, e que sozinho seria derrubado, mas, ‘Com a força que Cristo me dá, posso enfrentar qualquer situação’.”

Hoje em dia os Cristãos ainda enfrentam as incertezas do desemprego, o medo da violência e da doença. É preciso assegurá-los de que, com Cristo, podemos lidar com qualquer situação, não importa quão adversa for. Podemos confiar em Deus de que Ele nos dará a força que precisamos. Basta caminharmos junto a Jesus.

E o “tudo” que podemos fazer?

Alguns ainda querem saber, "o homem pode fazer tudo o que ele precisa fazer?" Até isso, na verdade, é relativo. O homem às vezes pensa que precisa fazer algo, tenta fazer e se frustra quando não consegue. Ele declara que Deus não existe, ou reclama que Deus não ouviu suas orações. Mas, Deus muitas vezes sabe que há uma grande diferença entre o que o homem pensa que precisa e o que ele realmente precisa. Quando era jovem namorei uma moça e pensei que precisava casar com ela. Não deu certo. Acabei esperando até quase 40 anos de idade para casar. Hoje, sei que Deus me deu, graças à sua vontade que é sempre melhor, a esposa que eu realmente precisava.

Dentro da vontade soberana (e para nós muitas vezes misteriosa) de Deus, sim, diria que o homem pode fazer o que precisa. Mas, esse fazer nem sempre será o que ele quer. Prova disso é que há muita coisa que, além de poder fazer, devíamos fazer, mas nem sempre fazemos.

Talvez a grande questão não é se Deus me capacita para fazer tudo que preciso. Dentro da soberana vontade dEle, Ele sempre capacita. O problema é que eu nem sempre quero fazer tudo para o qual Ele me capacitou. Talvez para Deus parece que queremos saber se podemos fazer de tudo, quando tão pouco fazemos com o “tudo” que já podemos. Que Deus nos ajude a, como Paulo, nos contentarmos não só com aquilo que Ele nos deu, mas com aquilo que Ele nos capacitou a fazer, e esmeremo-nos ao fazê-lo.

Para uma pregação baseada neste estudo sobre Filipenses 4:13 veja:
“Será que realmente 'Tudo posso naquele que me fortalece'?”

Para uma meditação sobre Filipenses 4:13 veja:
"Posso TUDO?" do site iluminalma

[1] Bullinger, E. W. (1898). Figures of speech used in the Bible (Page 615). London; New York: Eyre & Spottiswoode; E. & J. B. Young & Co.)

[2] Klein, W. W., Blomberg, C., Hubbard, R. L., & Ecklebarger, K. A. (1993). Introduction to biblical interpretation (Page 481). Dallas, Tex.: Word Pub.

[3] Carson, D.A. “Os Perigos da Interpretação Bíblica” (antiga “Exegese E Suas Falácias”), São Paulo: Edições Vida Nova, 1992, numa seção intitulada “Inferências Injustificadas” (páginas 108-9)

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08/08/09